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Com o surgimento da Web 2.0, das redes sociais, dos smartphones, das câmeras e da Internet das Coisas, a quantidade de dados gerados pela Internet cresceu vertiginosamente. Os especialistas estimam que foram gerados 2,5 exabytes de dados por dia durante o ano de 2016, o equivalente a 250.000 Bibliotecas do Congresso dos EUA. E esse número vem crescendo de forma exponencial, praticamente duplicando a cada dois anos.

No campo dos Recursos Humanos, as análises de dados devem deixar de ser um grupo de nicho em RH e se transformar em uma função corporativa em 2017. Os líderes de RH estão cada vez mais interessados nos dados e desejam usá-los para melhorar o desempenho da empresa. A Deloitte descobriu que 39% das empresas que foram pesquisadas este ano desejam relacionar os dados pessoais com o desempenho na empresa… e isso representa 63% a mais do que no ano passado. Indo ainda mais longe, 9% querem usá-los para prever o desempenho empresarial. É um índice 125% acima dos números do ano anterior(1).

Simultaneamente, a quantidade de dados disponíveis continua crescendo. As pulse surveys (pesquisas de pulso) e os aplicativos de feedback, além das avaliações instantâneas e da educação digital, oferecem às empresas resultados rápidos, gerando ainda mais dados. Segundo Josh Bersin, da Deloitte, “cada programa feito, cada incentivo, cada desafio organizacional devem ser baseados em dados”.

O que isso significa para a educação corporativa? Assim como os dados pessoais estão fazendo com que as empresas aproveitem o máximo dos recursos humanos, também levarão a mudanças relevantes e positivas no próprio campo do aprendizado. Os dados pessoais ajudarão a elaborar iniciativas de treinamento mais relevantes ao permitir que os gerentes de Educação e Desenvolvimento estabeleçam uma correlação entre educação e desempenho empresarial, chegando, finalmente, a prever esse desempenho. Também permitirá experiências de aprendizado mais eficazes ao sugerir os cursos que são mais relevantes para os alunos, atingindo um novo nível de personalização. Com tudo isso, esses dados levarão ao desenvolvimento de comunidades e redes de aprendizagem, permitindo que os especialistas ganhem maior visibilidade.

 

O Novíssimo Mundo dos Dados

O uso dos dados pode ajudar a implementar o “método Netflix” na educação: oferecer aos alunos o conteúdo mais relevante com base no que eles já viram. Combinado com o “método Amazon” (que sugere cursos com base no que outras pessoas também visualizaram sobre o mesmo assunto), os alunos mergulharão em uma experiência de aprendizado de imersão personalizada e relevante. Eles poderão navegar dentro do seu ambiente de aprendizado da mesma forma que quando fazem compras ou assistem a filmes online.

As pessoas aprendem de formas diferentes; a sensibilidade a estímulos visuais ou auditivos, a duração dos cursos e o nível de interatividade podem ter um grande impacto na forma como os alunos absorvem novos conhecimentos e conseguem aplicá-los em sua rotina de trabalho. Através de uma análise cruzada dos dados com base nos resultados de avaliações e padrões de aprendizagem, será possível identificar o estilo de aprendizagem de cada indivíduo e lhe oferecer a experiência mais adequada a suas necessidades. Ao se adaptarem aos estilos individuais e, assim, personalizarem ainda mais a experiência de aprendizado, os departamentos de Treinamento e Desenvolvimento verão um crescimento nos aspectos de completude, envolvimento e retenção. O passo seguinte será reunir as pessoas que compartilham os mesmos padrões de aprendizagem, indo além do cargo assumido, departamento ou região. Esses novos tipos de comunidades de aprendizado abrirão as portas para uma nova forma de colaboração que poderá extrapolar a percepção tradicional de equipes e grupos.

O impacto final, e talvez mais crítico, que os dados podem ter sobre a educação está relacionado com a previsão do nível de competências adquiridas pelos alunos e, por sua vez, com a antecipação do desempenho. A análise preditiva combina estatística, aprendizado por máquina e técnicas para criar um modelo que possa fazer estimativas sobre o futuro. O uso da análise preditiva nos processos de tomada de decisão podem permitir que uma organização baseie suas decisões em dados, e não na intuição. Ao fazer uma análise cruzada entre os padrões de aprendizado e os dados das pesquisas, as organizações podem prever quais capacidades um aluno dominou com base no seu comportamento na plataforma. Isso fornece informações essenciais sobre como adaptar os planos de desenvolvimento, mas também sobre quem poderia estar pronto para seu próximo desafio em um novo cargo. Finalmente, ao fazer uma análise cruzada entre os dados de aprendizado e os dados dos Sistemas de Informação de Recursos Humanos (HRIS), os aplicativos de feedback, as pesquisas de pulso, os painéis de controle empresariais e os CRMs, as organizações poderão prever um desempenho individual e de equipe.

O uso do Big Data abre um mundo de possibilidades para os departamentos de Educação e Desenvolvimento, mas também apresenta um grande desafio. As ferramentas atuais não fornecem necessariamente dados relevantes para os gerentes de T&D, e a equipe de T&D nem sempre está treinada para analisar os dados de forma adequada. As organizações também podem se mostrar resistentes quando se trata de expandir a tomada de decisões baseadas em dados. Cabe aos líderes assumir este desafio para que continuem sendo competitivos e encontrem as melhores formas de usar as informações disponíveis.

Referências:

  1. Bersin, Predictions for 2017: Everything Is Becoming Digital, 12/6/2016